I.
Faz hoje uma semana que visitei o Santuário de Fátima. Creio que já não o fazia há 8 anos.
Apesar de ter nascido e crescido numa família católica, na qual todos foram crismados tendo a minha avó materna, pais, tios e primos sido catequistas, acabei por me afastar um pouco da igreja católica. Não deixei de acreditar na existência de Deus, de um Ser Superior, mas alguns dogmas com os quais não concordo na totalidade fizeram afastar-me da prática regular. Vou a celebrações se for convidada ou sempre que o desejar, tal como o faria numa mesquita, sinagoga, templo ou outro local de culto, respeito todos de igual forma e acredito no fundo de amor por si mesmo e ao próximo que existe em todas as religiões, mas que tantas vezes os homens deturpam a seu belo prazer e de acordo com os seus desejos e objetivos. Tive momentos em que me senti em paz, uma tranquilidade que há muito já não sentia em mim, leve, com mais esperança no futuro. Só estes sentimentos já tornaram o meu dia especial. Vinha de 4 dias fechada em casa, deitada na cama, deprimida e sem saber como organizar a minha vida. Estive para não ir, mas algo abalou os meus pensamentos. Tenho pensado muitas vezes na minha falecida avó e do quanto me arrependo de não ter passado mais tempo com ela nos seus últimos anos de vida. A faculdade, o trabalho, havia sempre algo para fazer e há uma grande mágoa em mim por não ter aproveitado cada segundo na companhia dela. Os meus pais e tios já têm uma idade considerável e não quis perder este momento em que podia estar junto deles. São estes momentos de felicidade junto daqueles que amo que quero guardar e relembrar nos dias de maior tristeza.
Dizem que é nos momentos de maior aflição que a nossa fé é testada. A minha tem sido há um par de décadas e realmente saiu abalada. Muitas vezes me pergunto: "porquê eu, porquê a mim?!, Que mal fiz eu na outra encarnação para merecer penar anos sem fim?!". Mas tudo tem uma razão de ser e é ela que procuro enquanto vou tentando equilibrar-me dia após dia.
Tive momentos de paz que gostaria que se prolongassem e fossem vividos mais a miúde.
Continuo com a esperança que esses irão chegar e prevalecer.
Até lá, continuo a lutar contra mim mesma, os meus pensamentos, a apatia e tristeza que se impregnou em mim.
[Texto escrito a 26/08/2021]

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